1568. Leia-se: “o que é a liberdade?”

Queria te dar a coisa mais livre do mundo
A prenda mais rara que pudesse te levar ao espaço
Queria te dar a sinceridade mais absurda
Pra que você pudesse sorrir
E te dei a falta que poderia ser teu ápice
Livrei minha carne de sê-la somente aos teus
E te dei o amor que poderia ser mágoa

Quis te dar a liberdade
“nunca te prender, tanto que forjei asas nos teus pés”
Mas o limite do que é se lançar
Fica preso no cume mais ermo da companhia
Quis te dar a coisa mais bonita
A página daquele livro que nós dois lemos entre goles de vinho
A nuvem mais branda pros dias de sol
O sol mais suave pra dourar as noites de insônia

Meu erro mais grave talvez seja esse de crer na liberdade
Como a panacéia da impaciência sobre o marasmo

Eu quis o pulsar
Sentir a vida com você
Beijar os pés de ipês ao teu lado
Saber a idade da Terra
E te levar comigo rumo ao jardim

Quis colher você aos poucos, sem pressa, lentamente
Sem a sensação de que tudo é luz
Quis ficar com você na penumbra:
Lençóis, suores, sabores e sons, bem leves
Sem pressa, sem pressão, sem prisão

E nem sei se você quer ser livre
Você é o homem afinal, já é livre por cultura
Eu quero só te amar
E que seja livre

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