digo que se um rio vai ser o lócus
de palavras que se quis deixar,
me faço rio
que se existe alguma busca por alívio
que correntes podem trazer,
líquido, sou rio
que se a carga da linguagem presa à cabeça
bloqueou o uso do sensível,
como rio eu levo o que puder
carrego em minha sinuosa vacância doce de água
além do sedimento flutuante
as dores que devem ir
os humores que já gastos
o entrave entalhado na boca do céu
porque quero o bem maior
eu levo sendo rio
o que não couber para a paz
porque mesmo quero