Meu nome é Guilherme, poeta , professor de geografia da Secretaria de Educação-DF e mestre em geografia (UnB). Tive AVC em maio de 2020 (isquêmico) não consigo falar ainda. Tenho apraxia e afasia. Apraxia é um distúrbio neurológico motor da fala, resultante de um deficit na consistência e precisão dos movimentos necessários à fala. Afasia é uma alteração na linguagem causada por lesão neurológica.
Por: Guilherme Carvalhohttps://poesificando.com/ Há tempos não nos encontrávamos…Como andas?Eu? Vou indo, ou melhor, a vida me leva;mas vivo, já é um bom começo…Agora você, está feia não? Acabada.É, eu sei, o tempo ninguém perdoa.Recordo-me daquelas longas tardesem que passávamos só nós dois,difamando o mundo… era divertido!Uma prazerosa solidão acompanhada.O céu era até esse mesmo:infinitamente azul, […]
Um antigo silêncio em estranhamento, a mudez da minha fala e falta. Por um oceano de expressão pude ouvir, não falar, as borboletas ruflantes em angústia.
Ninguém sabe lembrar qual era seu nome Bolas de fogo na minha fala O que significa esse nome? Mãe D’água faz uma suave tristeza Meu nome esqueci Serpente de fogo em chamas
Das árvores da história sou um pequizeiro, semeadura dura para fazer mourões Nasço do silva-cerrado do Hospital Realístico Fantástico de Ceilondres
Estou com minha mãe na barriga dela, 3,9 kilos, quando um brejo encho e formo um rio-araguaia, penso que os buritis seriam guarirobas e tomo um vinho magnífico Só que não sinto os vultos do estômago
Os boitatás e as mula sem cabeça estão chegando, os sapos estão indo embora e os margaridões, os tatuzinhos-de-jardim, os pardais também As borboletas alaranjadas e pretas estão fazendo amor livre
[“Toca, Tocantins Tuas águas para o mar”]
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ㅤㅤㅤㅤQuem eu vejo não mexe comigo: ㅤㅤㅤㅤtão em novembro, quase dezembro, réveillon
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ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ passo…
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*Canção de Nilson Chaves – “Toca, Tocantins” ‧ 1991
A boca cheia de botox Lábios selados com uma cruz Os peitos são produzidos pelo tombamento de união estável com plástico As sobrancelhas estão impecáveis: espessos, rudes, abundantes Como o cabelo da dama ruiva – um alvoroço profundamente completo Bioplastia nas maçãs do rosto O nariz é de tom avermelhado e tem umas bochechas de largura de caminhão
Uma geografia de dúvidas Ihe percorria todo o firmamento: serão serafins? será música isso que martela incessantemente e não consegue arrebentar? As perguntas se dissipam no ar.
E um cardume de corolários atravessava-lhe o desfiladeiro: então isto é aquilo, e o contrário só é verdade do princípio ao meio etc. Isso proporcionava-lhe prazer não pouco, e uma penca de álibis.
Definitivamente, sou, ele pensou, com a magnificência de um pterossauro em pleno voo. O saber é sua própria recompensa, como a virtude, concluiu. E viu que isso era bom. Depois dormiu.
A estrela caiu na minha mão onde estava procurando um eneagrama dos sonhos.
Uma arraia nadadora saiu de mim com uma sereia crescente dias depois.
Uma maré estava sondando as algas derradeiro o lugar onde está o azeviche o negrume da fossa abissal.
Estava mais calmo as montanhas mais altas, macio.
Bem ali no mar, me chegará no meu apogeu – como do alumiar – segurar, sutil, tênue, delgado, na depressão do mar a liberdade dos desejos e medos imensos.
Como uma falta da linguagem técnica, vou tentar escrever algo sobre minha crítica: o capitalismo estaria prestes a morrer, o que você acha? Penso que é uma etapa da história do capitalismo, a comparação entre cada feudo que as bigtechs (Apple, Meta, Microsoft, Alphabet, etc.) seriam um atributo análogo de produtores de rotinas (de controle, consumo e conteúdo), exercem um poder semelhante com o seriam senhores feudais. Acho que algo muito mais importante, pois tenho certeza de que vai ser um comunismo de quebrada e ecologicamente torta.
Está livre teu peito do amor à glória vã? Estará também da ira e do medo da morte? Os sonhos, os terrores mágicos, as feiticeiras, os duendes noturnos, os sortilégios de Tessália: eles te fazem rir?
O breaking buda A breaking bitcoin O pai reborn A mãe Chat GPT O lobby das bigtechs A minha medição da IA O governo de google A cocriação das artes e artifícios artificiais O think tank A coisa
Paulo andava querendo falar com Eliane há algum tempo. Queria falar sobre o CD novo que havia comprado. Assim que o comprou, quis que ela conhecesse seu conteúdo, foi algo instantâneo: música boa: Eliane. Neste CD, havia uma música em especial que trazia Eliane até Paulo de uma forma sutil e leve, a letra falava […]
Do aclamado autor de O andar do bêbado e Subliminar, uma jornada pela nova ciência das emoções
Durante muito tempo acreditamos que o pensamento racional era a influência dominante em nossos comportamentos. As emoções, por sua vez, seriam prejudiciais nas tomadas de decisão. Agora, graças ao enorme progresso das pesquisas em neurociência e psicologia, sabemos que a emoção é tão importante quanto a razão para orientar nossas escolhas e atitudes.
Mas o que é a emoção? Como nossas ideias sobre os sentimentos evoluíram? Como regular as emoções para utilizá-las a nosso favor? Estas são as grandes questões abordadas em Emocional, do brilhante físico Leonard Mlodinow, que nos orienta aqui por uma novíssima área de pesquisa: a neurociência afetiva.
De laboratórios de cientistas pioneiros a cenários do mundo real em que o domínio sobre as emoções foi decisivo para evitar uma tragédia, Mlodinow mostra o quanto essa revolução científica tem implicações significativas também na vida cotidiana, no tratamento de doenças, na compreensão das relações pessoais e em nossa percepção a respeito de nós mesmos.
LEONARD MLODINOW é doutor em física pela Universidade da Califórnia, Berkeley. Foi professor no Caltech, O Instituto de Tecnologia da Califórnia, e pesquisador no Instituto Max Planck, em Munique. Entre seus livros, traduzidos em mais de trinta países, estão os best-sellers O andar do bêbado, Subliminar e Elástico, lançados pela Zahar.
Olhou, me deu mais beleza e eu a tomei como minha. Feliz, ingeri uma estrela.
Permiti que me inventasse à semelhança do reflexo nos seus olhos. Danço, danço em montes de asas súbitas.
A mesa é mesa, o vinho é vinho, numa taça que é taça, e cinzas são cinzas no cinzeiro cinza. Já eu sou imaginária, incrivelmente imaginária, imaginária até a medula.
Falo do que ele quer: das formigas que morrem de amor sob uma constelação de dentes-de-leão. Juro que uma rosa branca, regada com vinho, canta.
Rio, inclino a cabeça com cuidado como a conferir uma invenção. Danço, danço na minha pele espantada, no abraço que me concebe.
Você “tropicalizava” minha vista Com seus tons de areia E apesar de não ser sereia Quando entra no mar me obriga a entrar também Nosso beijo é um eclipse Pros meus olhos de lua cheia Que aumentam a maré da tua vênus Nós dois temos vontades e o mundo também Não podemos por medo deixar nosso amor pra Semana que vem Você estendeu sua canga neon no meu peito Prestes a apagar E falando com minha solidão disse que pretendia ficar Vem cá me tira dessa lombra feia Menina bonita Que mora Numa rua longe da minha rua Me tira dessa lombra feia Menina bonita Dança na minha vida Vestida de nua Vem cá me tira dessa lombra feia Vem cá me tira dessa lombra feia Vem cá me tira dessa lombra feia Vem cá me tira dessa lombra feia Você, encurtava o caminho da tristeza Com os seus atalhos Dormia no meu imaginário Pra acordar sonhos bêbados de realidade e Compensava minha falta de paz Com seu excesso de guerra Derrubava impérios e “Césas” Você leva no rosto a minha história do amor E no espaço entre a gente o medo das bombas que ele deixou Confundimos pássaros e pipas com os nossos olhos em brasa E aplicamos o mesmo conceito de livre pra linhas e asas Eu carrego as sementes que você me deu pelos fundos do bolso Pra florir minhas tristezas durante as passagens no fundo do poço Mesmo insosso dou minhas mordidas em planos que fiz pra mudar Com você pra um planeta onde a finalidade do tempo é parar Vem cá me tira dessa lombra feia Menina bonita Que mora Numa rua longe da minha rua Me tira dessa lombra feia Menina bonita Dança na minha vida Vestida de nua Vem cá me tira dessa lombra feia Vem cá me tira dessa lombra feia Vem cá me tira dessa lombra feia Vem cá me tira dessa lombra feia
“Você quase não me toca, ela diz, mas é claro que eu te toco, e automaticamente coloco minha mão sobre seu rosto, deslizo a ponta dos dedos na pele fina do rosto, o alto da testa, a têmpora, a lateral que termina no queixo, boca. Ela se afasta. Eu quase não a toco, o corpo de Nina. O constante envelhecer do corpo de Nina. Como um espelho. Eu que fujo dos espelhos todos os dias, apenas para fazer a barba, passar os dedos entre os cabelos, escovar os dentes, eu quase não me olho, mas vejo o corpo de Nina, eu olho e vejo o corpo e o tempo no corpo de Nina. Os seios, as coxas, as costas, e até mesmo a curva da cintura, até mesmo ali o tempo que passa escancarado, ela diz, você quase não me toca, e eu quero dizer, Nina, eu não posso tocar o tempo que passa assim tão escancarado no teu corpo, você entende?, eu quero dizer, eu não posso tocar esse tempo em teu corpo no meu, você entende?, Nina tem vontade de gritar e ir embora e nunca mais me ver, nunca mais voltar, nunca mais dormir ao meu lado, eu muito longe no outro extremo da cama, jamais um carinho, uma braço, nem mesmo a mão que se estende em busca do outro, da presença do outro. Nina tem vontade de me dizer coisas horríveis, vontade de me bater, de me afastar, mas Nina não diz nada, eu adormeço.”
Texto que me toca como um soco… O inventário das coisas ausentes, ótimo livro!
“Tais considerações nos levam a outra parte importantedo surgimento em ordem tão estranha da mente,sentimentos e consciência, uma parte que é sutil e fácilde passar despercebida. Ela se relaciona à noção de quenem partes dos sistemas nervosos nem cérebros inteirossão os únicos fabricantes e provedores de fenômenosmentais. É improvável que fenômenos neurais pudessem, sozinhos, produzir os alicerces funcionaisnecessários a tantos aspectos da mente, e certamente éverdade que eles não poderiam ter esse papel quandofalamos em sentimentos. É preciso que haja umainteração muito próxima entre os sistemas nervosos e asestruturas não nervosas dos organismos. As estruturasneurais e não neurais não são apenas contíguas, masparceiras contínuas, interativas. Não são entidadesdistantes que sinalizam umas para as outras como chipsem um telefone celular. Em palavras simples: corpos ecérebros estão na mesma sopa capacitadora.
Inúmeros problemas da filosofia e da psicologia podemcomeçar a ser investigados produtivamente assim que asrelações entre “corpo e cérebro”passarem a ser vistas sob essa nova ótica. O entranhadodualismo que começou em Atenas, teve Descartes comoavô, resistiu às investidas de Espinosa e foi avidamenteexplorado pelas ciências da computação é uma posiçãocujo tempo já passou. Precisamos agora de uma novaposição que seja biologicamente integrada.”
“… nunca ficou tão claro que o outro é parte fundamental do Eu, vivendo esse Eu sozinho ou com alguém. Parece complicado mas não é: não escapamos do outro de jeito nenhum. Ele pode ser real ou imaginário, uma pessoa ou um ideal. Normalmente é tudo isso misturado. Como diria Lacan, nó borromeano, que entrelaça o real, o simbólico e o imaginário. De qualquer forma, que façamos os nós que possamos sustentar e desamarrar.”
“Se os outros me respeitam, então obviamente deve haver “em mim” — ou não deve? — algo que só eu lhes posso oferecer. E obviamente existem esses outros — não existem? — que ficariam satisfeitos e gratos por isso lhes ser oferecido. Eu sou importante e o que penso e digo também é. Não sou uma cifra, facilmente substituída e descartada. Eu “faço diferença” para outros além de mim. O que digo e sou e faço tem importância — e isso não é apenas um vôo da minha fantasia. O mundo à minha volta seria mais pobre, menos interessante e promissor se eu subitamente deixasse de existir ou fosse para outro lugar.
Se é isso que nos torna objetos legítimos e adequados do amor-próprio, então a exortação a “amar o próximo como a si mesmo” (ou seja, ter a expectativa de que o próximo desejará ser amado pelas mesmas razões que estimulam nosso amor-próprio) evoca o desejo do próximo de ter reconhecida, admitida e confirmada a sua dignidade de portar um valor singular, insubstituível e não-descartável. A exortação nos leva a pressupor que o próximo de fato representa esses valores — ao menos até prova em contrário. Amar o próximo como amamos a nós mesmos significaria então respeitar a singularidade de cada um — o valor de nossas diferenças, que enriquecem o mundo que habitamos em conjunto e assim o tornam um lugar mais fascinante e agradável, aumentando a cornucópia de suas promessas.”