4088. Do baixo século XXI: mercadorida

vai, se deprecia
afia a ponta da faca e crava
e espera os cravos ao redor do caixão

se deprecia, afia
se deprecia, aflita
bem na beira do precipício
como se fosse o início

dos dois jeitos eles ganham:
um a menos a superpopular
ou mais uma cartela vendida por mês.

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4088. Do baixo século XXI: mercadorida

4084.

quando parou para pensar na dor
uma pomba riscou o céu azul
e trouxe a face dela de lã dourada

é naquele templo que há coroação
um infinito de paz na luz dos
movimentos que apaziguam
dores e dilemas

há riscos
sempre há riscos

4084.

4072.

tapou o ar
era só isso
uma vasilha
pra tapar o ar
ela só queria
uma vasilha
pra tapar o ar

acabou comprando um sonho
um sonho maior que as pirâmides maias
que as pirâmides astecas
que as pirâmides egípcias

era um sonho dourado
além de verso
além de vida
era um sonho de grana pra caralho
grana pra porra

mas antes
antes de tudo isso
ela só queria uma vasilha
uma vasilha pra tapar o ar

4072.

4071.

tenho sonhos
tenho sonhos
tenho sonhos de aldeia
tenho sonhos de esteira
tenho sonhos de ribanceira
tenho sonhos de sesteira
tenho sonhos

tenho sonhos de aldeia
mas não sei uma parede levantar
tenho sonhos de aldeia
mas to o tempo inteiro plugado no ar

4071.