4173. Autopia

Pela criptografia dos vazios e dos unos
a mensagem estanca a utopia,
o meio pelo qual vaza o devir.

Desagrega o código
e ressuscita o mensageiro
morto em combate:

Lá detrás dos oceanos,
por debaixo das profundezas,
engendra o casulo do conforto
concha polimorfa em que tudo cabe
vazia e una.
O dourado é intermediário
entre nascer e morrer
e lá se instaura o quimérico,
seu antimeridiano reluz o intermédio
em plena escuridão.
Seu brilho disfarça o negrume.
Entre poente e nascente
é dia e noite,
dentro da luz, depois da luz.
O infindável que margeia
onde estaremos,
planta betuminosa que fornece
a luz em sua carne
e cerne das cores que carneiam
a vida,
é morte.
Não há norte ou sul,
há circunferência e expansão.
 

Não se engane, o azul do céu é negro.
Nosso não lugar.

4173. Autopia

4171.

(43x² – 22747)º
era o dia da prisão
minto que está tudo bem
benzo o banzo pra ser bom
bombeio o sangue na veia ainda
dano-me a desdizer o todo
to dolorido de tanto deitar
ar me falta nessa parede
rede me enlaça virtual e físico
zico a praga pra ver se ela se move
vejo além do horizonte emoldurado
doo meus bens a quem passa fome
me meto num buraco escuro
curo as chagas que se expõem
põem claustro as ordens governamentais
tais lendas serão lembradas se eu me for
formam concreto os pensamentos que não param
ramos de arruda ajudariam na imunização
ação inerte que se espatifa entre paredes pra onde vim
vinte e três dias passados
dos que ainda virão.

4171.