4093.

Já avança a meia
da travessia
e até agora
o brilho não se
fez aos olhos,
como se o desarrumo
das lágrimas atmosféricas
tivessem virado
a luz para dentro
do Sol.

Mas o certo é que
a desesperança do amor
é que me tomou
as rédeas e não
arredou mais pé

até que o céu
de Marte se assomou.

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4093.

4092.

não sou você
nem há encaixe,
há deslize

avalanche ladeira abaixo
e uma nova paisagem
brotando de dentro
da terra,
pó de montanha
para novas planícies

onde me encharco.

4092.

4091. Vai lá, ama.

Cristais de nitroglicerina
em todo o beijo,
urânio enriquecido
os abraços,
um tiro e uma facada
ao toque dos sexos
e o algodão do doce encontro

– um domínio, dogma não declarado,
o amor É sinônimo de posse,
primordial o fato, o sobrenome dele no papel,
cavalos brancos e pétalas e plumas de príncipes
voando de helicópteros
e o primeiro tapa até o último soco.

Como a mágica frase
anteposta feito poema
no instagram
dos corações solitários,
pesa a tonelada
de transformar a notícia falsa
das sessões da tarde
e suas barrymores
em notícia quente e,
três tuítes depois,
requentada do jornal das oito:

mais um feminicídio computado.

4091. Vai lá, ama.

4090.

Pensa na música mais bonita
que você já escutou na vida.
Eu provavelmente
a odeio do fundo do meu ser
e essa voz me dá asco.

O que me encanta
te causa repulsa e pavor.

Para além de um talho
na democracia,
é isso que talha
o mundo a existir.

4090.

4084.

quando parou para pensar na dor
uma pomba riscou o céu azul
e trouxe a face dela de lã dourada

é naquele templo que há coroação
um infinito de paz na luz dos
movimentos que apaziguam
dores e dilemas

há riscos
sempre há riscos

4084.