1370.

“onde estará a rainha
que a lucidez escondeu?”

Maldita seja a razão
por ter escondido a
imagem floreada
que eu tinha dela
Maldita a razão
por me esconder
aquela que não existia
e assentava tão
bem nos meus discursos
Maldita razão
que me calou
o que eu sentia
quando da presença dela

1367.

Com a tua mão
eu tocava o corpo
dela e a teoria
quântica que ardia
em nossas cabeças
nos mostrava que
não havia nada
nos separando,
nem a tua calcinha
com a dela
e eu em vocês
duas inteiro
teso e não tenso

Coma tua boca
eu a beijava
e com o corpo
dela você se
encaixava no
meu

Com os lábios dela
eu beijava teus
seios e com o meu
prazer você gozava
ao penetrá-la

Com nós três
a gente sentia
e sem saber
quem era quem,
se entendia

1361.

Um dia ela me ofereceu
um chocolate
fiquei assustado
ela queria dividir
algo comigo,
ela que mal compartilhava
o oxigênio com os
outros,
me oferecia um pedaço
de chocolate
Achei lindo,
quase pensei em me
casar
se não me falha a
memória, uma lágrima
pendeu em meu rosto
quis sair de mim,
gritar aos quatro
ventos,
esquecer que dias antes
ela sequer pensava
em mim
ah como eu fui
feliz!
como foi saboroso
o chocolate!
Mas, no final das
contas, eu nem gosto
assim de chocolate
E relembrando os fatos,
minha azia começou
desde então…

1360.

Ela falou que me
amou do jeito mais
bonito
e que aquele tapa
foi só marca indelével
desse sentimento tão
nobre que nos faz
perder as estribeiras
E se hoje eu sinto
que não a amo
me pergunto qual foi
o sentimento que
me fez perder as
estribeiras e
começar algo um dia
com ela.

1358. Hum…

Talvez eu te convide
pra sair
A gente bebe, fuma, trepa
e pode até haver
um cafuné depois,
quem sabe até um
abraço ou mesmo
beijinhos no rosto e
na boca
Pode até ser que nós
dois bêbados e já
tendo trepado, fumemos
um cigarro e falemos
alguma coisa engraçada
Quem sabe você lê
um poema e eu deixe
escorrer uma lágrima
fortuita
Talvez aconteça até
uma declaração
de amor vinda de
alguma boca
Pode acontecer tudo
isso, mas o melhor
de tudo é saber
que a gente nem se
conhece e melhor
ainda, o sexo
provavelmente será
uma desgraça e a
bebida e o cigarro
hão de promover
uma ressaca das mais
filha-da-puta

1357. Amor de novela

Vou planejar tudo,
até a vingança
quando me deixar,
vou coar café
na tua calça,
vou bolar uma
estratégia pra
te prenderem e
depois te visitar
na cadeia,
vou raptar teu
sapato preferido
e torturá-lo
lentamente,
vou usar o teu
sapato e a
tua calça manchada
de café,
vou ler teus
e-mails depois de
adivinhar a senha,
vou grampear teu
telefone,
vou me esconder
debaixo de uma
árvore no caminho
do teu trabalho
e roubar tua bolsa,
vou dar em cima
do teu namorado
e deixá-lo em
minhas mãos
e aí quando eu
te ter, vou arrumar
nova paixão e
passear de mãos
dadas com ela
em cima da tua
cova.

1352. Fracasso

Fracassei
num frasco
de perfume
eu te achei,
no pescoço
daquela mulher
eu te achei

Eu tentei não
te achar ali
naquela hora,
naquele pescoço
enquanto minhas
pernas se entrelaçavam
com as delas

Fracassei,
fui fraco
foi você
naquele pescoço

E fracassei mais
ainda porque
naquele momento
em que ali te
encontrei, eu não
hesitei,
te descobri e num
corpo outro,
me entreguei a ti

1353.

queria saber onde foi
que eu te deixei
numa retrospectiva
eu vi que te deixei
aos poucos em vários locais
foi no meio dos
“filho-da-puta-cu-de-porco”
assistindo um filme
coreano qualquer,
foi num pôr-do-sol
parco e efêmero
olhando os glúteos
das garotas transeuntes,
foi no intercine
e na insônia,
foi no amargo da
casca de limão
vomitado em meio
à 51,
foi na falta de
loucura
te espalhei em
cada merda que
eu nunca mais
junto novamente