A longa jornada, marcha à ré
Estou caminhando por fora do mundo
Os espinhaços foram feitos de inteligência artificial
Paisagem em aplicativos
Esses excessos emocionais são como um corpo canceroso
Últimos momentos das placas tectônicas para simular
Uma possível solução de troca de tela
Tag: Poesia
Reconciliação

Por: Guilherme Carvalhohttps://poesificando.com/ Há tempos não nos encontrávamos…Como andas?Eu? Vou indo, ou melhor, a vida me leva;mas vivo, já é um bom começo…Agora você, está feia não? Acabada.É, eu sei, o tempo ninguém perdoa.Recordo-me daquelas longas tardesem que passávamos só nós dois,difamando o mundo… era divertido!Uma prazerosa solidão acompanhada.O céu era até esse mesmo:infinitamente azul, […]
Reconciliação
4195. Seis anos depois
Um antigo silêncio em estranhamento,
a mudez da minha fala e falta.
Por um oceano de expressão
pude ouvir, não falar,
as borboletas ruflantes em angústia.
Ânsia por gritar.
Desejo pelo comunicar.
Soar.
Vibrar.
É a mudez das palavras que perdi.
4194. Isadora
Nós sonhávamos usar os olhos iluminados em maio,
quando estávamos em março.
Nós fantasiávamos uns pássaros de pedra sem pressão.
Embora, de repente, nós não queríamos entender o que havia acontecido.
Nós devaneávamos nossos pensamentos em imaginação
como as marcas de um novo tempo.
4193. Sem nome
Ninguém sabe lembrar qual era seu nome
Bolas de fogo na minha fala
O que significa esse nome?
Mãe D’água faz uma suave tristeza
Meu nome esqueci
Serpente de fogo em chamas
Deveria ficar sem nome
4192. Belém – Brasília

Das árvores da história sou um pequizeiro,
semeadura dura para fazer mourões
Nasço do silva-cerrado do Hospital Realístico Fantástico de Ceilondres
Estou com minha mãe na barriga dela,
3,9 kilos,
quando um brejo encho
e formo um rio-araguaia, penso que os buritis seriam guarirobas e tomo um vinho magnífico
Só que não sinto os vultos do estômago
Os boitatás e as mula sem cabeça estão chegando,
os sapos estão indo embora
e os margaridões, os tatuzinhos-de-jardim, os pardais também
As borboletas alaranjadas e pretas
estão fazendo amor livre
[“Toca, Tocantins
Tuas águas para o mar”]
ㅤ ㅤㅤ
ㅤㅤㅤㅤQuem eu vejo não mexe comigo:
ㅤㅤㅤㅤtão em novembro, quase dezembro, réveillon
ㅤㅤ ㅤㅤ
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ passo…
ㅤㅤ ㅤㅤ
*Canção de Nilson Chaves – “Toca, Tocantins” ‧ 1991
4191. Macabéa
Era hora da estrela encarnada,
mulungus ficam calmantes
a cristalina flor dessa luzerna.

4190. Redemoinho
Caminho pelos desertos da terra,
sem floresta, caminho por caminhar.
Esgotado nas cordilheiras fantasmáticas
dum engenho falsificado.
Visonha constatação do murmúrio
que não tem voz.
É uma planície planejada sobre
o conflito desagradável,
bioma sórdido que uma assombração.
4189. Tinder 1
A boca cheia de botox
Lábios selados com uma cruz
Os peitos são produzidos pelo tombamento
de união estável com plástico
As sobrancelhas estão impecáveis:
espessos, rudes, abundantes
Como o cabelo da dama ruiva
– um alvoroço profundamente completo
Bioplastia nas maçãs do rosto
O nariz é de tom avermelhado e
tem umas bochechas de largura de caminhão
Gosto dela
Formas do nada / Paulo Henriques Britto

Limiar
Uma geografia de dúvidas
Ihe percorria todo o firmamento:
serão serafins? será música
isso que martela incessantemente
e não consegue arrebentar?
As perguntas se dissipam no ar.
E um cardume de corolários
atravessava-lhe o desfiladeiro:
então isto é aquilo, e o contrário
só é verdade do princípio ao meio
etc. Isso proporcionava-lhe
prazer não pouco, e uma penca de álibis.
Definitivamente, sou,
ele pensou, com a magnificência
de um pterossauro em pleno voo.
O saber é sua própria recompensa,
como a virtude, concluiu.
E viu que isso era bom. Depois dormiu.
4188. Arraia

A estrela caiu na minha mão
onde estava procurando um eneagrama dos sonhos.
Uma arraia nadadora saiu de mim
com uma sereia crescente dias depois.
Uma maré estava sondando as algas
derradeiro o lugar onde está o azeviche
o negrume da fossa abissal.
Estava mais calmo
as montanhas mais altas,
macio.
Bem ali no mar, me chegará
no meu apogeu –
como do alumiar –
segurar,
sutil, tênue, delgado,
na depressão do mar a liberdade
dos desejos e medos imensos.
4187.
O breaking buda
A breaking bitcoin
O pai reborn
A mãe Chat GPT
O lobby das bigtechs
A minha medição da IA
O governo de google
A cocriação das artes e artifícios artificiais
O think tank
A coisa
Amém
4186.
Procurei a precariedade
dos seus defeitos
em todas suas funções
em casos práticos
em termos gerais
de coisas pra voltar atrás
essas são todas respostas verdes,
néctar maduro homogêneo,
contorcem as correntes mais arcaicas
as folhas que foram tiradas por seus calendários.
4184.

Às vezes eu vou um ter tempo pra sobrevoar,
restos da noite fosca.
Um blues
presságio.
4183.

Vou te contar um enigma:
pela janela à noite – lá fora alta –
um aluvião
cascalho, areia, lamaçal.
Uma quentura lateja,
leito dum rio que passa.
Rochedo, planícies,
vigor incessante.
Cresço, eclipso e mínguo.
Vou te clarear pelas manhãs.
4182.
Às vezes
as vozes
passam por ter sido
tão simples, bobas,
onde não posso ir.
4181. cantos afasicos 1
o acidente aconteceu
o agramatismo também
logopenia, alexitimia, afantasia etc…
quando entrarmos nas veias reais
eu vou sonhar muito bem
quando entrarmos nas nervuras do anestésico
eu vou sonhar muito bem
talvez tudo na cabeça,
dentro da vida,
manejar as cordas que compõem a realidade
4180. entregar
