0573. Parnasiano sul-real

“manhã, luminosa manhã…”

Por esta matutina essência de agora,
vem –me este contínuo passado vivo.
Uma vez mais bem outrora definido
foi limite preciso tal de uma aurora.

Posto que passa este raiar descomedido,
na claridade desse vespertar, ora,
o gozo da luz despenca como chora
o atônito inocente tido em delito.

É assim que da ação de rota que nesta hora,
ocorre da Gaia em si despercebido,
surge e inventa-se o amor, um ser de fora

desses dias mesmos ainda não nascidos,
que à existência marca e corrobora,
mas transforma-se em não dia, agora tido.

Deixe uma resposta