0631. Das vivências pós-modernas

As palavras de amor ditas
como num nirvana amoroso:
a imersão no vazio revelador
em meio à turba da dor
para por fim inteligir os sentidos.

Um eco ultra-feminista, já
quase um machismo, transforma
as crianças em ninfas
prematuramente, as palavras
já não cabem mais em si e não
contemplam o invisível da
pós-modernidade
já não há o que ser dito!

Os emetivianos vomitam o contido
de décadas de libertação,
como num vídeo-clipe programam
as revoluções num replay eterno
– “eterno retorno”, sempre.

Minhas palavras de amor
querem ser ditas, mas a turba
da primeira nobre verdade
cala-se por segundos.
Segundos, uma vez que é esta
a velocidade do pós-modernismo:
em um é lésbica, noutro é
travesti, logo mais é necrófila,
acolá evangélica e se possível
for ainda dança um forró para
conquistar seu macho.

A turba da austeridade já não
cabe em si. Nada mais cabe em si.
Em si só o éter, só.
E no respeito, o transgênero de
três seis pousa sua virilidade
num site porno-literário.

Nossa culpa cristã morre.
Nossa morte morre e o respaldo
da eternidade cochila somente
no retorno dos segundos, num
alvorecer de oeste do planisfério.

Ah, minhas palavras de amor…
Parecem frases da Bíblia em
meio a um Kuarup.

Os ventos de maio já se sentem,
a boca já resseca, nenhuma
estrela ao céu… como sempre.
A imensidão concrética da cidade,
as paralelas asfálticas das vias
(se encontram todas nos não-lugares),
tudo isso me leva a crer:
daqui pra frente tudo será como antes:
nada igual
(só o oco do eterno retorno).

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