0787. Rodoviária, 8 da manhã.

Pela manhã tudo tem cara de coisa boa. Manhã de sol, doirando o mundo que poderia até ser feio, deixa tudo com ares de coisa irreal, mais que real, briluz. Na rodoviária as pessoas brilham tanto e há ainda as sombras perfilando a luz, que chega a parecer que o mundo ainda pode ser algo mais além dele mesmo. Perco meus pés, não ando, apenas observo as luzes, o brilho, as sombras, aí vejo que a beleza da luz reside na hora das sombras e que a perpendicularidade luminosa deixa as coisas tesas demais, sem vida ou até mesmo só vida. O esplender da luz é a sombra e o dourado que a permeia. As coisas são mais belas quando olhadas pela luz do ângulo de 30º.
Saí da rodoviária, entrei no céu e guardei aquela luz em mim.

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