0862. Da Ceilândia ao Plano – poema e mundo

Com Basquiat nos olhos
e Racionais na mente,
o quadro é este:
à tia em pé
tive de ceder
meu espaço
e perder estes
poucos centímetros
que ocupava
sentado

Ao redor, a vastidão,
metáfora plena
à alma
Dentro, só o cercear
das possibilidades
Dentro, fora, ao redor
e além, um sol
sem fim, vasto

Um céu azul e marrom
e um rubor dourado
sobre a ruiva inerte –
explosões de hélio
queimando as faces
das impossibilidades

Lá fora as painas
quase a cair
e a floração esguia
dos eucaliptos à míngua

Nesse imenso colorido
possível me imerso
e chego pontual
ao trabalho

Deixe uma resposta