0875. Creio que é um adeus

Eu tento gritar,
mas a voz que
sai da caneta é rouca,
míngua, parca e pouca.
Só um amontoado de porquês.

Solto um lamento
alto e em tom menor,
abafado e incerto,
inaudível a quem importa e
intangível a quem perto.

Canto este como o último:
a derradeira tentativa
de acalentar o espírito,
último abraço às palavras,
o resultado esperado e mínimo.

Posto que não há como
com letras provocar o carinho,
com palavras pintar a beleza,
nas idéias reinventar a natureza
ou em metáforas obter a mansidão.

Neste que é o definitivo,
mas não o é todo dia,
despeço-me então:
adeus poesia.

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