0888. Só pra constar umas palavras, caso seja hoje.

Hoje pode ser o dia de minha morte,
saibam vocês que me aprazem a companhia.
O arfar de uma vida de conjecturas
tolas pode hoje descambar em minha morte.
Uma morte estúpida hei de dizer desde já,
mas invariavelmente, uma morte.
Pode ser em meio a um shopping
em plena euforia do horário de almoço.
Pode ser que seja estatelado de um
viaduto e estraçalhado por carros lá em baixo.
Pode ser ainda que seja ao descompasso
de um tiro que há de perpassar não só minha carne.
Mas há de ser uma morte, a minha.

Hoje, meu amigos, pode ser que eu morra.
A vida ainda há de continuar,
o trânsito não vai parar de vez,
o tráfego aéreo nem irá notar nada,
lá em casa, quem sabe, se importem
(na certa se importarão, caso seja hoje mesmo).
Caso eu morra com certeza meu corpo
sentirá o sentido definitivo entre o fardo e a pluma,
entre o vento e a atmosfera
e lançará minha alma por caminhos tantos.
Esta que ganhará a altura de todo o mundo
e será apenas uma que um dia foi.
Tudo isso neste que pode ser o dia de minha morte.

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