0949.

Deve ser uma de
quem eu sou a pele
me beija a boca profundo
e me chama de Guilherme

Deve de ser de outra
que me olha confuso
sorri com esses mesmos
olhos e tem medo de tudo

Deve ser daquela
que me transpira aos poucos
deu-me um filho de outro pai
e que me põe como os loucos

Aquela me quis primeiro
teve-me aos poucos inteiro
A outra sentiu-me em brasa
dormi noite sem juízo
em sua própria casa
E uma me quer tão leve
por debaixo de seus poros
como algo que não se deve

Meu coração não se divide
entre aquela, uma e outra
Dá espaço ao que incide
sente-se livre e à solta
Procura só o carinho
matutino ou vespertino
de quem precisar possa,
pois injusto é o caminho
de dar propriedade toda
a este que bate em desalinho

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