1015.

Até saber-te, amada, tudo era irreal
Vaguei por vielas e cada existência
Não possuía história ou palavra:
A realidade era apenas uma possibilidade.
Penumbrei por vastos casarões,
Paisagens torpes e espaçadas,
Pré-moldadas e concretamente duras,
Verdades que povoavam ondas no mar.
Nada percorria vida, preenchimento e voz,
Aconchego, preocupação e novidade,
Nada incomensuravelmente me dizia algo,
Nada era de alguém e meu mesmo,
Enfim veio tua linda tez e teu desalento
E couberam toda a primavera de benfazejos.

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