1018. As tuas mãos

Ao que não posso admirar-te
Admiro as tuas mãos.

Tuas mãos de unhas e articulações,
Tuas miúdas mãos suaves,

Bem sei que te habilitam
E que teu mundo
Surge delas a se erguer.

Teu devaneio e tua essência,
A dissonância verde
De teus anseios,
O medo desenfreado
Que me aches novamente,
As possibilidades da vida,
Tua vontade impensada,
Forte miúdo que um dia foi meu.

E se amo as tuas mãos
É também porque estapearam
Minha cara e minha conduta
Minha alma e meu peso,
Até se encontrar.

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