1039. Tudo quisto

Eu quero o lirismo gélido
das poesias que iniciam
dizendo não
e os murros na boca
diuturnos de um paganismo
vendido na tv

Eu quero as metáforas
que lambem meus peitos
na boca da noite
e as metáforas invisíveis
de clichês intelectuais

Eu quero a reticência
compulsiva daquele olhar
e ser a continuidade
do frêmito vivo daquelas
pupilas negras

Eu quero ser eu por inteiro
em você, como quiser
e até a pipoca doce
do beijo de uma rosa

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