1147. Invasão

Dou-te um pouco de poesia
crendo o ato ser mais que
ele mesmo, ser algo que vai
além de sua forma.
Crendo que sua existência
possa chegar aos limites
de tua existência e a formar um
algo que seja, bom ou mau,
não importa.
Crendo que meu ser se
perpetue pelos ares de
qualquer lugar, já que
filho e filha não almejo mais ter.
Não espalho meus genes
tolos por entre os vazios da humanidade
perpasso a própria humanidade a
quem desejar.
A mísera humanidade que me coube
ter contato e que me cabe dentro
do meu ser.
Invado-te com esse poema,
sabendo que o encontro com ele
a(o) fará ser diferente, já não mais
a(o) mesma(o) de dois segundos atrás.
Apresento-me aqui assim então,
nesse ato de terrorismo poético
crendo, como um Cristo,
no poder da palavra.
Crendo que cada palavra é
a própria construção do ser,
que cada idéia solta nalgum lugar
de si é o que constrói o ser.

Palavras.

Dou-te palavras para o reflexo,
dou-te este poema espelho,
dou-te este narciso,
dou-me em palavras possíveis
para me caber em si.
Perpetuar poesia em cada
ser que possa.

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