1151. FLUIR

Fluía por entre opacos pedaços de cidade
pensando que o ocaso de meu dia
chegaria a qualquer momento.
Fluí por entre becos escuros e vielas turvas
crendo que a aurora de minha noite
viria não num raiar, mas em minha morte.

Fluí até teu encontro, quando aurora e ocaso
deram-me a tez de meu sorrir puro
e crivaram em meu ser ardor esperançante.
Fluímos nós pelos pedaços acres da cidade
pintando de açúcar os muros e as grades
que encarceravam nossa felicidade.

Fluímos, assim, pelo amor.

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