1556. A repetição da Rosa

Ela ali parada a olhar o nada me condoia a alma.
Queria pousar em seus sonhos naquele então.
E da matéria formada entre seu inconsciente
e meu corpo, doces frutos de novembro seriam
sorvidos pelos beija-flores assustados.

Ela ali, intrépida, aguerrida, altiva em sua suavidade.
E eu, como um doudo a cercar aquela existência,
deixava no âmago da contemplação uma ação inerte
quase que só quase-ser, como um devir ainda.
E ela era mais linda do que as mais lindas.

Eu flébil, lacrimante como as gotas de orvalho
espalhadas por seu corpo, deixava fluir facilmente
qualquer suspiro que fosse só amor, essa semente
tácita do andar no mundo, essa incólume poeira
que me ligava àquela rosa em meu jardim.

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