1706. Uma prosa (sobre) boa

foi aí que eu vi aquele moço
o cara fazia umas músicas boas
antes de ter morrido no estrangeiro
resolvi puxar papo
tinha algo que eu queria saber
uma coisa quase pulga atrás da orelha
queria saber sobre a probabilidade de
saber da existência antes do contato
o problema todo era aquela música
que não saia das minhas músicas
aí eu perguntei:
– Quando você a conheceu?
– Não sei, talvez eu não tenha a conhecido, ou não…
– Ah sim… suspeitei…
– Ela é linda, não?
– É sim… Bastante…
fiquei a pensar então nela
no choque que não era do azul
mas do cinza
devia ser fruto da cidade, quase daquele
cruzamento que mexia com o cara
e ela é toda certa, assim, no sentido da coisa
e uma voz, uma voz que é qualquer outra coisa certa
– A voz é linda também, não?
– A voz? É sim, bem linda mesmo.
e há a força também que sobressai qualquer choro
e as letras e as músicas
uma onda que arrebata mesmo
um ritmo que cadencia os pés e dá vontade
de trocar energias entres os ventres
– Mais que demais?
– Ah, bem mais…
– Fiz até uma canção.
– Eu sei, queria tê-la feito antes, aquela coisa do seu amigo: “Certas canções que ouço, cabem tão dentro de mim que perguntar carece: como não fui eu que fiz?”.
– Pois é, meu nego… Previ ela antes.
– É, dei mole mesmo… Talvez ela queira bater em mim, sabe? Como a onda…
– Lindo.
queria ter
sentir
o íntimo
e são fontes de mel tão lindas…

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