1855.

Eu tinha cá pra mim
uma promessa
Marquei que não
iria mais amar
Grifei com tinta preta
na agenda
Uma data que hoje
é só um passará
Passaredo soprou
no meu ouvido
que o passado
já não há
Passei tranqüilo
pela gaveta
Em que a agenda
guardada lá está
Junto com algumas
fotos e bilhetes velhos
que só nessa gaveta
não vão ficar
Quebrei essa promessa
e num impulso
Resolvi a tudo libertar
Os beijos de batom
em guardanapos
e os pêsames por
já não mais estar
O origami todo amassado
Bilhetes de passagem
de viajar
Uma mandala
torta e quebrada
e uma flor branca
toda a mofar
Libertei vocês todas
num segundo
Do meu ato falho
de lhes pecar
Eu tinha que
quebrar essa promessa
Pra não ter que
nunca mais engavetar
outro sorriso
franco e sincero
Dessa que agora
vem se apresentar
Para que ela chegue
assim em casa aberta
e possa muito bem
se acomodar

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