1868. Vagando pelo baixo meretrício

Quando a iconografia
do néon falha,
falha um parco
segundo – quase a
perda de um segundo,
o primeiro de vários
que se seguirão –
a célere lembrança,
mais vida que memória
em si vagando,
de que o véu
diáfano da noite,
continuação de um dia,
corra ao encontro
da carne exposta
na vitrine
Como se de um poste
a outro existisse
um vidro e cada
moça encerra em si
a cultura da
volúpia dúbia do
anacronismo hipócrita
de comprar sexo
Talvez Freud tenha sentido,
que o que pulsa não
é mera vida, mas sim,
o que se quer gozar dela

São Paulo, SP.

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