1905. Tocado

Tocado de poesia agora
meus olhos não querem ver
o sangue derramado fora
nas sobras do bem-querer

Tocado de poesia agora
o átimo da vida ao chão
que segue ao campo que doura
brotando um pé de cada grão

Tocado de poesia agora
o que vejo não é uma América Latina
é sim feito de outro feitio, ora
a cor indefinível de uma Afroameríndia

Tocado de poesia agora
açu agudá a terra inteira
de abaixo de Capricórnio estoura
de um sem Ocidente, toda fronteira

Tocado de poesia agora
são dessas veias abertas
que a qualquer não logra
banharem em rubro as terras

Tocado de poesia agora
no centro pacífico e atlântico
num rincão gigante de sobras
faço-me num porto lânguido

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