2054. Para fins assim

Não tem jeito
No fim nada pós
No fim só esse gosto parco de Machado de Assis
Mais dois sóis
Talvez mais talvez menos
Mas certo que só
Dois sóis
Sós
Sempre essa indiferença planejada
Esse gosto de mácula não treinada
Essa coisa que não passa
Uma lágrima
Mil
Sempre a quase cair
Sempre
Quase
E os dois se olham e nada além
E os dois se tocam e nada vem
E nada surge
E o fim urge
E o gim desce
E tudo desce
Uma possibilidade que te afaga
Um mundo que de repente aparece
O bloqueio poético que não se faz mais
Um vômito há muito necessário
Uma paz quase inalcançável
E essa ansiedade
Ansiedade
Ansiedade
Ansiedade
Ânsia pela saciedade
Você pensa novamente amor
E você pira horas a fio pensando que a loucura é fato consumado
Vendo como re-dividir uma vida
Primeiro agrupando-a para depois espalhá-la pelos quatro cantos do mundo
Todo o vivido te passa em esquetes projetas num olhar perdido
É toda essa dúvida
É toda essa certeza
E esse inegável desejo de que isso remedeie e remende algo
É desesperador
Todo o contato visto em vão
Todo o dividir nada válido
Essa perna que não pára de tremer
E essa ansiedade
A enorme, gigante, absurda frustração
Por saber mais uma vez como tudo o já vivido
Mais uma vez
Eterno retorno
Sua respiração num segundo vira fumaça
Densa
Grossa
Desgraça
E irremediavelmente se acomete a sensação de que vai ficar tudo tranqüilo
E pronto
Acabou

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