2358. Porventura

“Que importa o sentido se tudo vibra?”

seguir só nessa vastidão
monge peregrino sem rumo
aventureiro sem ventura
restando bruxa na fogueira
após o fogo ateado
sem corpo mais que aguente

seguir só nessa vastidão
sentindo as vezes da lida
passando pelas horas
como eras de Clio
sem os pés tocarem outra
coisa que não a terra

seguir só nessa vastidão
retirante do mundo aquecido
por ideais sem idéias
só imagens mais nítidas
que o mundo fora da caverna
em tela plasmática de pleno
plano cristalino

seguir só nessa vastidão
em espasmos compassados
tropicando e troteando
qual centauro embriagado
sem seta para o alvo
e sem rumo certo para o trote

seguir só nessa vastidão
cego de coisas do espírito
material como a sorte
rindo e indo sem ter como
empurrando o mundo
goela abaixo e a seco o palo

seguir só nessa vastidão
sem maneira de amar
tolamente contente com
apenas a dor como fardo
a preencher os poros
que ficam entre os átomos

seguir só nessa vastidão
docemente acompanhado
por sementes de esperança
de centelhas de permanência
iludindo todo o mundo
com essa pretensa solidez
mas sempre só

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