2548. Por onde andei aquele verão?

Caminhei por debaixo das sombras de árvores aguerridas
que penosamente tentavam sobreviver ao massacre indistinto
Chorei copiosamente três manhãs inteiras
posto que ao meio dia não se é horário apropriada para chorar
passei as tardes desses dias cavando buracos no chão duro
atravessando rios e brejos
regurgitando informações esparsas sobre a vida

Naquele vale afluente do rio das araras
passei dias inteiros conjuntamente solitário
vi o azul do céu desabar sobre o vermelho da tarde
vi o romper da escuridão entre o lampejar de vaga-lumes
Lumiei a noite com a lamparina da esperança acesa

Ao retornar para casa
chorei mais três noites seguidas
pois que em casa é bom chorar de noite apenas

Foi naquele verão que todos chamam de inverno
que banhado de lágrimas e suor do trabalho
tomei o prumo da inocência outra vez

Deixe uma resposta