2562. hemoesia

como o vinho da vida jorrado
do pescoço nu dos decepados pelas guilhotinas
da liberdade, igualdade e fraternidade
como um veio de fogo escorrendo
viscoso de cima do cume dum vulcão
dado a dissipar civilizações e estatuar vilas
como o líquido comestível derramado do
pescoço da galinha arrancada a cabeça
eterna ciscante involuntária e agonizante
como a natureza da cultura jorrada mensalmente
ventre abaixo de quase toda
anunciador do não porvir parir
como o tom do vestido arrebatador
decote atravessado lateral que mata e ama
como as bandeiras fulgurantes de um
tempo de proletárias ditaduras
como o amargo campari sorvido
para alicerçar os ímpetos de ventos calmos
e explodir efusões até carnavalizar
como o timbre da guerra
estourando miolos por todo a terra
e tânatos conduzindo-a por campos de marte

é o sangue que brota de dentro de pedras
como nascente desse rio
palavra

Deixe uma resposta