2590.

debaixo da barriguda em flor
de frente para a quaresmeira entrando na quaresma
ao lado da espirradeira branca de afagos visuais
atrás das sibipirunas com sua frondosa verdância
um carro canta o pneu saindo da comercial
com a arte do sexo podendo crer que esculacha irradiando más vibrações
pelo corpo

um céu que pousa ríspido e afável dentro da terra
joões-de-barro pingam pela abóbada
e guardam seus futuros num galho de pau-ferro

a senhora faz o cooper indo de uma asa a outra
o mendigo corta correndo os eixos
equilibrando-se pelas veias centrais do corpo dessa cidade
vírus inoculados em seus utilitários 4×4 infiltram fumaça nas artérias
rápidos, vívidos, crentes
descrentes
concursada gente decente

a lentidão vagueia pelos espaços vazios
desviando das pressas zero quilômetro em sessenta vezes sem entrada

a modernidade é líquida, o amor é fluido
e as mangueiras começam a perder folhas

bem na via-veia intermediária passa uma coca-zero
e hoje talvez chova
bem na hora da novela das seis

2 comentários em “2590.

  1. quando folhas secas caídas de uma mangueira, pense na minha escola e nos poetas da minha Estação Primeira!

  2. “A minha música não é de levantar poeira
    Mas pode entrar no barracão
    Onde a cabrocha pendura a saia
    No amanhecer da quarta-feira
    Mangueira, Estação Primeira de Mangueira!”

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