2842. Solto

E eu quero é torrar no sol
para que ao céu
minha cor contraste
e eu não me sinta tão traste
dada a sina que me condói os genes

Quero que me avermelhe a pele
como índio que me deenianiza-me

Como isso vindo das confluências do Xingu
e de um encontro hebreu e ébrio
na subida do Araguaia

Que do carajá que me encoraja
aja o ferro em troca
para o carvalho que baste
na selva-silva em que silva o sussurro
de uma cascavel constante,
essa kundalini étnica
que dança louca quando se lembra hereditária
do mar que a povoou um dia:

lusa ínsula guiada por constelações e ventos,
nau de degredo que me agrega:

isso quando eu-construção-histórica solto na praia

(Ilha de Boipeba, BA)

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