Depois da ceifa do sorgo
na noitinha vindoura
faríamos saraus espontâneos
recitando loas e estrofes
para a cara redonda da lua
Enquanto isso a marica
ajoelhava um a um na roda
e um samburá de amendoim torrado
no meio dava a liga da fome
Um disquim do Emicida
compartipirateado pra finalizar
e Dom Vitim contando histórias
para os filhos dos outros
enquanto pitava um porronco
sobre um tempo em que arte
chegou a valer milhões
não como naquele agora
em que ela valia o mesmo tanto
que se vivia, pois que
como as ondas que no ar nos uniam
ela era então também a própria vida