2932. Salmo da chuva radioativa

No claro momento explodido
os córregos de iodo dançam
nos átomos mutantes
– em cogumelos e macacos –,
pelos prédios grossos
os humores pesam, vaporizados
e rumo ao globo, abraçam
concreto e carbono
manto isotópico que nos aquece.

Dia a dia, em tudo,
nuvens cegas-surdas tremem,
respingando nos corpos éticos.
Avalia se não se sabe a divisão:
mil vezes mil – às vezes –
alterando o chão onde pisam
pregos e pedaços de mundo
puro amor ao fim dos atos.
Coito alento, atento
aos mínimos pedaços
para o prazer do fim.

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