2958. Basta

quando saio de casa
e submerjo no céu,
naquele instante em que
as pálpebras se tocam e
num mar vinho mergulho,
vejo com os olhos cerrados
nesse seco cerrado
o calor do sol dançar

ele me pousa quente, vermelho
resto-me liquefeito, cálido:
tudo seco e eu sou feito d’água,
lágrimas em ebulição nos olhos
me fazem nascente

calafrio quando toca o vento, sombra
bruma quente quando o ar
seca a roupa dos meus ossos
e ouriça as tramas do tecido, sol

quando abro os olhos
o azul me solidifica
e o vinho vista adentro
vira sangue e me move

passeio dentro do azul
fazendo dessas paisagens em mim,
algo que, andando e fechando os olhos
por poucos segundos de cara pro sol,
basta

2 comentários em “2958. Basta

Deixe uma resposta