3083. Postulado I

Sua vida vai reduzindo,
minguando,
seu corpo murcha.
O olhar não penetra,
transpassa.
Sua matéria fica translúcida.
O afã, o fogo,
tudo se apaga no gelo da horas
e sua cara de tacho vira infinito.
Você ousa colocar a mão
e a mão se desfaz em poeira.
Você aspira a poeira
e ela faz ponte com o esôfago.
Dias e mais dias de peso no peito.
“Eu sei, você sabe que é frustração”
e nem mesmo se é o vilão.
Dias em que não se acorda
nem o cachorro.
Dias em que se mensura a distância
na base do carinho
ou no seu paradoxo.

Lonjura,
lonjura
e uma vertigem
e uma tontura.
Tortura
e essa coisa atravessada na goela.

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3083. Postulado I

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