3198. Pelas manhãs, num quarto na 18

Eu nem sabia de quê eram feitos os grãos de poeira
Aqueles que criavam padrões ciliares no líquido dos olhos
quando acordávamos aos finais de semana

Primeiro eram eles, cheios de resquícios de cometas
de meteoros e planetas
Tudo ali entre o espaço aberto das pálpebras e o teto do quarto
mas pregado nos olhos

Minha irmã acordada já também,
me conduzia a incursões mais psicodélicas:
ao largo de todo o semi-escuro do quarto
com aquelas longas cortinas de flores parecendo macacos,
mostrava-me as bolinhas
aquele mar de bolinhas flutuantes
despencando vagarosamente diante de nossos rostos

Cores múltiplas se formavam na velocidade de uma manhã de sábado
naquele tempo em que o tempo era algo com corpo, densidade e aroma
naqueles dias em que o estar dentro do tempo
se confundia com as eras e os períodos da Terra

Cada conjunto de bolinhas coloridas,
que invadia mesmo até os olhos fechados,
ficava ali despencando horas e mais horas
entremeava um novo sono cheio de sonhos em que eu
salvava alguma colega em meio a um incêndio do colégio,
percolava aquele estado sorumbático de quase acordado

Era assim até que vinha a luz plena de lá de fora
rompendo as frestas das cortinas e dizendo dia e sol

Levantávamos percorridos por bolinhas coloridas
que despencavam vagarosamente diante de nós

Despertávamos aos finais de semana assim,
eu e minha irmã,
com a alma cheia de cores
expandidos pelo sem fim daquele tempo da delicadeza
num onde encrustrado nesse quando eterno que me faz

Anúncios
3198. Pelas manhãs, num quarto na 18

Diga

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s