3249. Aboio

Pela manhã anoiteceu
e veio um sopro de tudo
feito som de trombeta

Tava lá, o gado confinado,
a cerca campeando as perdas

A máquina berrou alto,
os bois se debateram
A relva se deu de ração
e as manhãs nunca mais foram
de sua matéria cristalina,
elas caíram pela falta do despertar

Quase tudo se assombrou
e fantasmas trotavam pelos
canos d’água vindos da represa

Até o que vinha pela brisa,
baixando os olhos dos bois
a serem abatidos,
dormiu

Tudo virou visagem,
espectro, sombra

Era aquilo que podia
no sem fim da noite
vinda pela manhã

Só se aprumava um resquício de luz,
quando se abriu a porta das seis horas,
quando o umbral do tempo
desaguou a escuridão já tomada tudo

A cancela meio erguida
só restavam meias vidas
e todo o confinamento do gado
bastou-se ao chão

Algo explodiu no céu,
e a luz se apagou mais ainda
Do sonido das trombetas,
uma graça de melodia

O fim sem mote,
um bife chorava léguas

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3249. Aboio

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