3357. O homem analógico

Ele se lembrava daquela água verde
e mergulhava ainda nu
e todos os dias
de feira a feira

A pele dele tinha cheiro de pele de gente
e pelos de pele de humano
cabelos como o todo sempre
hálito e fezes

Ele morria, ele matava
tinha até um roupão e um cachimbo
um medo de ser na noite profunda
tinha alfarrábio
fazia convescote
olhava as horas pelo sol

Vagava entre as sombras da cidade
vigiava a coisa toda de soslaio
se pendurava na rede na sesta da tarde
Se calava na aurora
e esperava os espíritos se assentarem
depois da luz atravessada no limite do céu

Ele era analógico, ela falou
Tanto que biológico
arrematou

Ele vida era ali, tamanho –
deslembrava

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3357. O homem analógico

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