3448. Visgo de astros

Era um alinhamento,
eu a preveni:
Vênus e Júpiter em Leão,
a Lua Cheia em Sagitário.
Para ela, tanto fazia:
os astros, os quadrantes,
os trígonos e até mesmo elas,
as estrelas
ou eles, os planetas.
Para ela, nada disso bastava em ser
ou em si,
que isso tudo de se maravilhar com o imponderado
ou com o mistério desassombrado
era coisa para quem pouco ou pouca,
vai saber.
Ainda tentei discursos
sobre o curso do infinito
e sua incompreensível tez
de quando se faz na sua cara.
Mas, ela,
impávida,
com esse eco seco sibilante nas têmporas e nariz:
só sei que nada sei,
arrematado ao calor da conveniência:
da vida, me basta que eu aqui esteja.
Não a desamei em desalinho,
apenas replantei as mudas de begônias
que restava lhe dar.
Quem não olha o céu
– pensei –
deixo ao léu,
com suas certezas incertas
e monocromáticas.

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