3481. Questões bausísticas

A cidade é uma só?
Se perguntava sempre.
Talvez, depois dos
escombros, reparava
e arrematava.

Os significados e sentidos
são estanques, instantes.
A depender das condições
meteorológicas do peito:
o motor das percepções,
jaula líquida da memória.

A cidade é uma só,
mas becos e vielas são
numas porções só.

Pedaço que é toda ela,
que não se manifesta.
Onde a festa é outra
e a farsa é fim.
Expectativa do último
capítulo da novela das nove.

A cidade é uma só
no fluxo cotidiano:
um só sono na ida
e na vinda,
do concreto ao cerrado,
e vice-versa.

E no sono insone de
cada dia massante,
o vai-e-vem da grana.

A cidade é uma só
pra quem pode:
pra quem quem sem
documento sem,
quando a cara e a pele
por si só dizem:
é alguém.

A cidade é uma só,
essa solidão comprida e cumprida,
também.

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3481. Questões bausísticas

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