o árduo esforço
sanguíneo de erguer
moradas casas
primeiro o alicerce
fundação fundamento
ego concreto escudo
esteio abrigo
o que sobra após
as sombras dos
escombros quando
desabado desmorona
se frágil não sobra
nem sombra só partes
tudo cacos pedaços
perfeitos enquanto em pé
depois as paredes
tijolo a tijolo
por cimento ligados
projeção do conforto
erguidas a duras penas
se o projeto é falho
as paredes enclausuram
tem que haver espaço
para janelas claraboias
portas portais umbrais
o livre ir e vir
de ventos e vidas
de luzes e astros
senão se amofina
se infiltra e casa
alguma se atina
sem um fora que
ao redor se avizinha
uma morada erguida
só a é envolvida
quando alguém a habita
e dá sentido de dentro
contraposta ao circundante
que a conflita
mas há que se cobrir
as paredes com uma
camada protetora
contra tudo que do
céu desaba caído
raio chuva meteorito
uma assustosa trovoada
com telha telhado zinco
palha tá pronto
o básico do abrigo
estruturada a morada
feita com tudo o que
vem de fora para
se proteger do lado
de fora e num dentro
se pertencendo
é por isso que depois
do básico feito para
o abrigo se enfeita
se adorna se arruma
dá brilho as cores
as formas ladrilhos
aquilo que encanta
mosaicos vidros
o que é feito para
se gostar um patuá
um feitiço o superficial
sensorial meramente
contemplativo no fim
na morada habitação
de fora protegida
por dentro construída
descansar justa medida
até uma reforma qualquer