3565. pedreiro

o árduo esforço
sanguíneo de erguer
moradas casas

primeiro o alicerce
fundação fundamento
ego concreto escudo

esteio abrigo
o que sobra após
as sombras dos

escombros quando
desabado desmorona
se frágil não sobra

nem sombra só partes
tudo cacos pedaços
perfeitos enquanto em pé

depois as paredes
tijolo a tijolo
por cimento ligados

projeção do conforto
erguidas a duras penas
se o projeto é falho

as paredes enclausuram
tem que haver espaço
para janelas claraboias

portas portais umbrais
o livre ir e vir
de ventos e vidas

de luzes e astros
senão se amofina
se infiltra e casa

alguma se atina
sem um fora que
ao redor se avizinha

uma morada erguida
só a é envolvida
quando alguém a habita

e dá sentido de dentro
contraposta ao circundante
que a conflita

mas há que se cobrir
as paredes com uma
camada protetora

contra tudo que do
céu desaba caído
raio chuva meteorito

uma assustosa trovoada
com telha telhado zinco
palha tá pronto

o básico do abrigo
estruturada a morada
feita com tudo o que

vem de fora para
se proteger do lado
de fora e num dentro

se pertencendo
é por isso que depois
do básico feito para

o abrigo se enfeita
se adorna se arruma
dá brilho as cores

as formas ladrilhos
aquilo que encanta
mosaicos vidros

o que é feito para
se gostar um patuá
um feitiço o superficial

sensorial meramente
contemplativo no fim
na morada habitação

de fora protegida
por dentro construída
descansar justa medida

até uma reforma qualquer

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3565. pedreiro

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