3686.

Havia uma suspeita
ancorada no porto
à beira do cais

Um navio chamado Caos
em algum momento
enfrentaria a arrebentação

Um acúmulo de nuvens
prateava o céu
anunciando a tempestade

O que haveria em meio
à branca espuma
que se turvaria logo mais?

Assim que zarpasse
a brevidade do Caos se daria

Um naufrágio na inquietação azul

Pedaços do Caos à deriva
se veriam à milhas náuticas
enquanto o resto afundaria
mil léguas submarinas

Destroços recompondo-se corais
morada de peixes

Do Caos um equilíbrio em plenitude
mas só depois do desastre

anunciado

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