3828. Torrent-e

Para conhecer os nós
eu teria de ser o ar que os envolve –
amarras sequenciais, fluidas
atam e desatam, viram teias.

A natureza dos nós
é dada por dedos precisos
que escolhem as qualidades: cegos ou frouxos.

Atam memórias, anseios, horizontes
agrupando cordas que enforcam e subjugam.

Os nós tecem as redes que abrigam cardumes –
habitat temporário de quem será devorado.

A vida tem sido feita de nós
que conectam arremedos passados,
meio presentes, parcialmente futuros.

Diante dos nós
os laços são clones
sem estudos dos impactos,
os nós – tatuagens híbridas, intervenções.

Massas amarradas, como gado pro abate,
atando mais nós, armadilhas,
os nós nos ligando
ponto a ponto
emaranhando.

Eu e você já nos aprisionamos
entre todos os tipos possíveis,
deles, os nós, que somos nós apenas se tivermos nós.

Já possuem vida própria.
Tantos e tamanhos, da textura de tecidos
que vibram como se ondas d’água fossem.

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3828. Torrent-e

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