3853. Amarelo

Na gênese não se vislumbra início
não se chega a tocar aquela matéria quando se criou
era uma mistura de charme, curiosidade, tristeza
solidão

Volta-se várias vezes atrás
labirintos de tempo e ideias ideais
era um filme?
foi um filme?
quem dirigiu?

O projetor interno não para
rebobina a fita alugada
havia uma fala de uma atriz
vinha de um livro
capa azul dura, folhas finas
quase de seda
falava sobre se deixar
desistir de se achar
entrou dentro
repetiu-se no diálogo da atriz

Existiu atriz?

Volta-se mais uma vez
era a música
a vida do músico
a vida da música
algo não encaixava na vida
a melodia aflitiva
truncava as vias da razão

Parecia até que havia vida
Houve, parece
O presente vem assolando
e se descobre que é só nele que se vive
ainda que exista outro
universo, em paralaxe,
dentro do crânio
alcançando espinha e nervos
A boca dá espasmos involuntários
O olho treme

Está tudo bem
a solidão colide
com a visão dos pássaros atravessando
os vãos dos fios

Tudo só parece
nada se parece com o filme que roda dentro

Abandonos, abandonos
A vida humana é só uma experiência divina sobre a liberdade

Um baque no asfalto
esse projeto falhou

Parece que os créditos sobem
sem som
(ao longe alguém chora)

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3853. Amarelo

2 comentários sobre “3853. Amarelo

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