4173. Autopia

Pela criptografia dos vazios e dos unos
a mensagem estanca a utopia,
o meio pelo qual vaza o devir.

Desagrega o código
e ressuscita o mensageiro
morto em combate:

Lá detrás dos oceanos,
por debaixo das profundezas,
engendra o casulo do conforto
concha polimorfa em que tudo cabe
vazia e una.
O dourado é intermediário
entre nascer e morrer
e lá se instaura o quimérico,
seu antimeridiano reluz o intermédio
em plena escuridão.
Seu brilho disfarça o negrume.
Entre poente e nascente
é dia e noite,
dentro da luz, depois da luz.
O infindável que margeia
onde estaremos,
planta betuminosa que fornece
a luz em sua carne
e cerne das cores que carneiam
a vida,
é morte.
Não há norte ou sul,
há circunferência e expansão.
 

Não se engane, o azul do céu é negro.
Nosso não lugar.

4173. Autopia

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