0255. O que vejo e o que pensam

sentado aqui eu e minha cerveja,
olhos mo observam
pupilas homos, íris heteros
pensam que minha alma as deseja
mas meus olhos se cegam
para tomos freudianos de Eros

cego-me a presença de todos
finjo-me estrábica inocência
e canso-me com tantos namorados
estão à volta, amores doudos
que só produzem mais carência
e ainda à volta, insistentes veados

por vezes, instintos tentam se apoderar
miro seis ambulantes
e nádegas passageiras
mas é só carne a se enxergar
e o flerte se cala às transeuntes
que não se aprazem de poéticas tendências
– e ainda devem pensar que sou gay

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