0997. 1:57

De dentro da sombra dessas horas mortas escrevo
sem sentido e sem razão (ou todo sentido e toda a razão)
só querendo que essas onze cervejas
e esse baseado façam algum sentido
além de me levarem a olhar a lua laranja e crescente
flutuando entre essas nuvens todas
e me trazendo inexplicavelmente você
– que nunca me falou da lua
ou do laranja ou mesmo das nuvens –
além de me trazerem essas não-metáforas
que são mais pretextos do que poesia
que são mais proximidade pacífica
do que qualquer figura de linguagem
que são mais a minha perturbação
do que o encontro de teu ser com minhas palavras
mas continuo mais um verso pelo menos
e nesse te digo:
você é linda
(e me dói não conseguir dizer isso de forma clara).

Deixe uma resposta