1562. Desespero

Dê-me o visível
Para eu me conhecer melhor
Dê-me o que existe
Para eu resistir melhor
Não num tempo definido
Não o que me é próprio
Dê-me o que existe
Para doer melhor

Dê-me o que não acaba
Exposto num calendário
Posto num relógio parado
Dê-me o ritmo da espera
Que eu espero incessante
Dê-me progressivamente
Os sinais de que vivo
Para doer melhor

Dê-me a dor
Dê-me dez esperanças
Dê-me o verde
Pra ver dez esperanças
Embebidas em dor

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