1805. Quase sobre o céu, a chuva e o sol, mais sobre ela

Incessante
embaixo das dez
dentro do céu
quase sob a chuva
ela me propõe
sete viagens
que nunca fará

Incessante
dentro das treze
fugindo do céu
quase dentro do sol
ela ainda tenta novamente:
sete viagens

Guardei a proposta
soldando-a em um bolso
Algum dia
ou mesmo noite
eu retiro ao léu, de uma calha
de papel,
o proposto da fuga,
as sete viagens

De quando em quando
a imagem das sete viagens
sobre uma outra imagem qualquer
resguardada no canto por
um caranguejo
e ao outro lado pelo carro
a ser locado
me bate à mente
como se as sete viagens
ainda fossem presentes

Alguns números para
dar o tom cabalístico final
que na soma eu já perdi
ou mesmo a conta eu não fiz
que se entranham na
proposta de sete viagens
que ela me fez

Ela, que da chuva para o sol
cercada do céu,
deslocou-se meia dezena de metros
me propõe o deslocamento
via aérea de sete viagens
sete contemplações de felicidade
sete momentos de ócio
sete vigas para apoiar o fastio de pensar
sete dias para descansar a existência
dela ter proposto sete viagens,
estas que ela nunca fará

Ainda penso nas sete viagens
como se delas
eu pudesse
ou quisesse
mais que a chuva ou o sol
mais que o céu
e pelo que sei,
ela ainda deve propor
a qualquer que seja
sete viagens
num pedaço colorido de papel

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