1807. Doze rostos e um braço

É bonita a imagem
como se fosse bonito
o futuro que agora já presente se reservou
Doze indiozinhos fotografados
em pose ou em sorriso fácil
Quatro quadros compõem
o quadro
no segundo de cima pra baixo
um braço
que não ganhou destaque
não na foto
mas que em trabalho,
com certeza,
se arrebentou um bocado

Não no momento eterno da fotografia,
artigo de decoração,
terão netos e – provável e quase certo – bisnetos
os indiozinhos da foto

É a beleza de uma antropologia
que tira as fotos
e o braço continua ali no canto
sem ser reparado

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