1841.

Eu só produzia quando só
Entre um gole de cerveja
Entre um trago de cigarro
Entre uma bola e outra
Quando a máxima consternação
De uma coisa meramente
Fora da rotina
Abatia-se sobre o corpo
As palavras brotavam como
Na grota brota um broto de bambu
Numa margem assoreada mais ainda
Cheia d’água

Ali naquele momento eu conduzia as palavras
Como um atacante vibrando rumo ao gol

A coisa fluía como todo mês –
Devido à cultura –
Flui o sangue da não procriação anunciada
Corria com gosto de raiva
Com som de não estou pra nada e pra ninguém
Com uma frieza sexual não contida
Com um ar de nada eterno e maldição do mundo

E com você,
Era como estar sempre sozinho

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