1844. Sem cera e sincero

Eu queria mesmo entrar em você
e preencher alguns espaços
na frente, atrás, até mesmo dos lados
partilhar um pouco em você, meu ser
Pedaço pouco
constituído de músculos, nervos e vasos sangüíneos
Com certeza não esqueceria outro músculo para compartilhar
esse um tanto mais móvel que o outro
que em si consegue ser ditador de prazeres e de desgostos
de afagos e de porradas
sem nem mesmo triscar em alguém
esse que fica teso e que até da digestão participa

Queria, na verdade, em tudo estar em você
uma vez que fosse
meia não que meia é sofrimento em demasia
meia vez é como dois dedos de água
para quem não bebe a três dias

Mas antes de querer estar em você
queria saber da sua vontade
queria sentir o que percorre e ocorre entre o ventre e a cabeça
saber talvez se o pensamento é dos que freqüentam filas de confissão
quem sabe mesmo se é necessária uma sublimação
ou músculos
dois que sejam
e dedos
todos os que houverem
e pelos
esses que bastem
e água salgada jorrada para que se expurguem demônios não quistos
essa que é irmã de demônios famintos e necessários

Estar em você
uma sala de estar toda você
uma cela para eu me prender em você
e mostrar que dos parcos músculos
demônios pipocam
e todos famintos e mais que necessários

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